Pular para o conteúdo principal

Doha Masters 2021 - Análise dos medalhistas (masculino e feminino)

Após um ano sem realização de Campeonatos Mundiais ou Jogos Olímpicos, no início de 2021 foi realizado o Judo Masters. O evento reúne melhores colocados no IJF World Ranking e distribui pontos importantes para atletas que estão buscando a classificação para os Jogos Olímpicos Tokyo 2021. Segue abaixo a análise técnico-tática dos medalhistas neste evento.


Embora a maior parte das pontuações conquistadas pelas medalhistas tenha sido com técnicas de projeção desequilibrando para frente (42) e para trás (35), como já observado em outros eventos mundiais, uma parcela considerável destes pontos foi conquista no combate no solo (33). 
Em seus caminhos para o pódio, 8 destas medalhistas apresentaram um sistema de ataque variado, pontuando em ambas direções e no solo.



Entre os homens, mais da metade das pontuações foi conquistada com técnicas desequilibrando o oponente para frente (62), com menor frequência de pontos conquistados via projeções para trás (35) e no combate no solo (19). 
A variação de direções parece ter sido um aspecto relevante entre os medalhistas, sendo que 23 deles pontuaram projetando seus oponentes em ambas as direções. Entre estes, 12 medalhistas pontuaram nestas duas direções e também no combate no solo.


Entre as 77 pontuações conquistadas pelas medalhistas com técnicas de projeção, a maior parte foi com ashi-waza (44), seguidas por te-waza (16), sutemi-waza (14) e koshi-waza (3). 

Dez medalhistas pontuaram utilizando a técnica uchi-mata. Distria Krasniqi, campeã da categoria -48 kg, pontuou cinco vezes com esta técnica.

No masculino, os grupos das técnicas efetivas seguiram a mesma ordem de frequência do feminino: ashi-waza (34), te-waza (30), sutemi-waza (29) e koshi-waza (4). 

O atleta que apresentou maior variação técnica neste evento foi o russo Albert Oguzov (bronze no -60 kg), projetando seus oponentes com 6 técnicas diferentes (tai-otoshi, o-uchi-gari, uchi-mata, soto-makikomi, de-ashi-harai e ko-uchi-makikomi).

Tanto para os homens quanto para as mulheres, as configurações de pegada mais frequentes nas técnicas efetivas foram as pegadas alta, tradicional e cinturando.


Um terço dos ataques efetivos das mulheres foi realizado em momentos que as medalhistas estabilizavam sua pegada. Entre os homens, esta também foi a forma de ataque mais frequente (27%). 

Mais uma vez vale mencionar a campeã da categoria -48 kg (Distria Krasniqi), que executou todos seus uchi-mata efetivos a partir desta forma de ataque.

Varlam Liparteliani também usou esta forma de ataque para pontuar duas vezes executando a técnica uchi-mata.

Ataques oportunistas como go-no-sen, transição ne-waza para tachi-waza (ataques em ne-shisei) e kaeshi-waza representaram um quarto das pontuações conquistadas tanto no masculino quanto no feminino. 

A jovem Madina Taimazova surpreendeu a atual campeã mundial Sênior executando um o-soto-gari em go-no-sen (logo após defender um ataque da Gahie).

Arman Adamian foi um dos 11 medalhistas do masculino que pontuaram realizando contragolpes (kaeshi-waza).


Dezenove medalhistas do feminino conquistaram pontuações com técnicas de domínio, com osaekomi-waza (29) e kansetsu-waza (4). Entre os atletas do sexo masculino, quinze medalhistas conquistaram pontuações com osaekomi-waza (11), shime-waza (5) e kansetsu-waza (3).


Transição após um ataque falho do oponente forma de transição mais frequente, representando cerca de metade das pontuações no solo tanto para o feminino (19) quanto para o masculino (9). 

Daria Bilodid conquistou dois ippon executando o sankaku logo após o ataque falho de suas oponentes.

Tato Grigalashvili iniciou seu caminho para a medalha de ouro executando um juji-gatame em uma transição após ataque falho do adversário.


E para aprender a realizar análises de desempenho como as realizadas nesta postagem, acesse o curso online ANÁLISE DE DESEMPENHO COM EXCEL em http://space.hotmart.com/judodebase


Nota: Os dados apresentados neste post foram coletados a partir do vídeos disponíveis no site www.ippon.org. As fotos fazem parte da galeria de imagens disponíveis no site www.ijf.org. As informações apresentadas são uma análise descritiva, com valores absolutos e/ou relativos de alguns aspectos analisados nos vídeos disponíveis. Ainda que tenham sido apresentados alguns comentários, cabe ressaltar que não foram realizadas análises de probabilidade ou análises estatísticas inferenciais.

Comentários

Postar um comentário

Postagens mais acessadas no mês

Ranqueamento dinâmico no judô: conheça a proposta dos pesquisadores japoneses

O grupo de pesquisadores japoneses liderado pelo Dr. TAKANORI ISHII apresentou uma proposta interessante de uso do Elo Rating no judô.  O Elo Rating é um método estatístico inicialmente desenvolvido para calcular o desempenho relativo entre jogadores de xadrez. Dado a sua aplicação bem sucedida no sistema de ranqueamento da Federação Internacional de Xadrez, o modelo despertou o interesse de outras modalidades esportivas. Conforme proposto no artigo Enhancing match outcome prediction and athletic performance assessment using Elo rating and tournament draw data in judo , o cálculo do rating para atletas de judô segue estas etapas: 1. Rating inicial: todo atleta inicia com um rating de 1400 pontos, da mesma forma proposta com jogadores de xadrez de nível internacional; 2. Atualização após cada combate: o rating é atualizado considerando a probabilidade de vitória conforme o rating do oponente enfrentado. Por exemplo, se um atleta com rating 1500 vence um oponente com 1700 (chance es...

Graduação no Judô: programa da IJF

No judô, ao passo que as avaliações de graduação de Dan (faixa preta) são reguladas pelas federações estaduais, cada entidade costuma estabelecer seu programa de conteúdos para os processos de graduação de judocas entre a faixa preta e faixa marrom. Algumas postagens anteriores apresentaram algumas propostas sobre este tema: Avaliação de graduação para 3º kyu na Rússia (2013) Organizando os conteúdos no ensino de judô (2015) Exame de graduação: como criar uma planilha para avaliar os judocas (2023) Recentemente a Federação Internacional de Judô (IJF) publicou em seus documentos oficiais um programa de sistema de graduação. A proposta apresenta os conteúdos necessários para a evolução nas 5 graduações tipicamente utilizadas em diversos países (faixa amarela/5º kyu, faixa laranja/4º kyu, faixa verde/3º kyu, faixa azul/2º kyu e faixa marrom/1º kyu). A tabela de critérios sintetiza os objetivos das diferentes graduações, apresentando ajustes de conteúdos conforme a idade, tempo mínimo de p...

Cada ataque conta: análise detalhada das ações que decidiram os ouros no Mundial Sênior 2025

 Desde 2017, tenho postado algumas análises de medalhistas em Campeonatos Mundiais de Judô. A primeira análise foi bastante simplificada, apresentando uma tabela com as técnicas e direções de ataque que os/as 14 campeões/campeãs do Mundial Senior Budapeste 2017 usaram em suas pontuações conquistadas neste evento .  De lá para cá, outros parâmetros foram incluidos nas postagens sobre esta temática, sempre buscando apresentar uma análise descritiva focada na variabilidade técnica das ações efetivas (i.e., ações que geraram pontuações) dos medalhistas dos Mundiais Sênior, Júnior, Cadete e de alguns outros eventos do IJF World Judo Tour. Alguns destes levantamentos se desdobraram em artigos acadêmicos: 2020: Observational analysis of the variability of actions in judo: the key for success? 2024: "The MacGyver solution": using no-code app to tracking sport technical-tactical profile 2025: The Final Battle! Variability of Performance of Finalists in World Judo Championships Buscand...