Pular para o conteúdo principal

IJF Referee and Coaching Seminar 2018 - Estatísticas e Regras

Seguem algumas estatísticas (2016 e 2017) apresentadas no seminário de arbitragem da FIJ, realizado em Mittersill (Austria) no último final de semana.

Tipos de técnicas utilizadas nos Ippon conquistados:




Ações e técnicas que geraram mais punições (Hansoku-make e Shido):





Momentos de definição dos combates:



Estatísticas referentes ao Golden Score (duração e tipo de definição):




Adicionalmente, foram apresentadas e discutidas as regras para a temporada 2018. Embora a definição final destas regras serão apresentadas posteriormente em publicação oficial da IJF, bem como nos seminários nacionais e estaduais, seguem algumas anotações de algumas informações apresentadas:


Ippon = 4 elementos: força, velocidade, controle e costas do uke tocando no solo

Pequena flexibilização na avaliação do Ippon: algumas situações de lado (velocidade, amplitude, controle e força) e "rolando" pelas costas (com controle)

Deixaram claro a flexibilidade de algumas situações, nas quais Ippon ou Wazari podem ser aceitáveis.

Avaliação do Wazari:
- Quando falta algum dos 4 elementos
- Uke toca a lateral do TRONCO (cotovelo e ombro "para dentro"), mesmo que as pernas não toquem a lateral
- Uke rola em dois tempos

Evitar cair de costas
Uke cai com 2 cotovelos ou mãos (braços estendidos) = Wazari
"combinações" de 1 cotovelo e 1 mão = Wazari
Uke cai sentado e apoia cotovelo/mão posteriormente = não é ponto
Uke cai com apoio de apenas 1 cotovelo/mão = não é ponto

Contragolpes: qdo se realiza o kaeshi após bater as costas no solo, a pontuação será considerada para o atleta que realizou o primeiro ataque. Contragolpear APÓS bater as costas não é válida, é "muito tarde". As costas até podem tocar no solo, mas o contragolpe tem que iniciar antes, em tachiwaza (usaram um exemplo do Yuji (ouchi) x FRA (ura-nage) no GS JPN).

Bear hug sem pegada prévia do tori = shido
Tocar ou apoiar sem fechar os dedos não é considerado uma pegada.

Ponte qdo seria ponto = Ippon
Defesa com a cabeça voluntária, girando o corpo e impedindo o que seria ponto = Hansokumake
Defesa com a cabeça involuntária (ex: sodeajo/seoiajo; koshi-guruma “saca-rolha”); muitas vezes uke tocar testa no solo; uke não tem opção = Não é punição

Ataques realizados fora da área com de forma contínua (kaeshi, renraku, passagens no solo), claramente sem pausas = pontuação validada

Shime puxando perna do uke abaixo do joelho = matte e shido

Ataque falso: qdo uke não precisa reagir (avançar perna, realizar tal-sabaki), ataques soltando a pegada = shido

Pegada bloqueando adversário: um dos atletas domina (patolando ou gola-gola) mas não realiza ataques com intenção de projetar = shido

Empurrar para fora X Pisar fora:
Qdo atleta se arrisca permanecendo na beira da área (sem tentar girar ou atacar) ou aceita deliberadamente a movimentação para fora = shido por pisar fora
Qdo atleta começa a empurrar antes da beira da área, sem intenção de atacar (posição do corpo ajuda a deixar claro) = shido por empurrar

Quebrar pegada com duas mãos, batendo com mão contrária (tapa) ou com a ajuda da perna (apoiando na perna ou segurando na própria calça) = shido

Permanecer com pegadas manga-manga, cruzada, duas mãos no mesmo lado, na faixa, sem ataque por muitos segundos = shido
A INTENÇÃO DE ATACAR deve ser apresentada imediatamente.


Situações em que ambos estão no newaza, um dos atletas levanta (tachiwaza) e o outro ainda está em newaza, ocorrendo imediatamente um ataque a pontuação será válida
De forma similar, se um dos atletas se defende ajoelhando e o outro (ainda está em pé) ataca imediatamente, a pontuação será válida (usaram um exemplo do Eric (ajoelha) x Safarov (hikikomi-gaeshi) no GS Baku)

Kansetsu-waza em Tachi-waza(jiju-gatame voador; ude-gatame) SERÃO PROIBIDAS: será comandado matte e shido
(Shime-waza em Tachi-waza, embora sejam menos usuais, serão igualmente proibidas)
Transições iniciando com técnicas de tachi-waza não se enquadram nesta regra (ex: yoko-tomoe-nage para juji-gatame). Katame-waza apenas poderão ser executadas no solo ou após uma ação de transição.

Técnicas como SODETKG segurando APENAS UM braço do adversário que terminem como ude-gatame e waki-gatame projetando-se ao solo serão punidas com hansoku-make

3º shido simultâneo para ambos atletas:
-Preliminares: ambos estão fora da competição
-Quartas-de-final: ambos serão 7º lugar
-Semifinal: ambos serão 5º lugar
-Final: ambos serão 2º lugar

Atletas não devem realizar sinais religiosos



IMPORTANTE: reforço que as informações acima são somente anotações das informações disponíveis nos link abaixo. A padronização destas regras no Brasil serão adequadamente apresentadas pelos representantes da Comissão de Arbitragem.

Parte 1: https://www.youtube.com/watch?v=3u1WuTL-rLg
Parte 2: https://www.youtube.com/watch?v=JVGZTua49Xs

Comentários

Postagens mais acessadas no mês

Graduação no Judô: programa da IJF

No judô, ao passo que as avaliações de graduação de Dan (faixa preta) são reguladas pelas federações estaduais, cada entidade costuma estabelecer seu programa de conteúdos para os processos de graduação de judocas entre a faixa preta e faixa marrom. Algumas postagens anteriores apresentaram algumas propostas sobre este tema: Avaliação de graduação para 3º kyu na Rússia (2013) Organizando os conteúdos no ensino de judô (2015) Exame de graduação: como criar uma planilha para avaliar os judocas (2023) Recentemente a Federação Internacional de Judô (IJF) publicou em seus documentos oficiais um programa de sistema de graduação. A proposta apresenta os conteúdos necessários para a evolução nas 5 graduações tipicamente utilizadas em diversos países (faixa amarela/5º kyu, faixa laranja/4º kyu, faixa verde/3º kyu, faixa azul/2º kyu e faixa marrom/1º kyu). A tabela de critérios sintetiza os objetivos das diferentes graduações, apresentando ajustes de conteúdos conforme a idade, tempo mínimo de p...

Organizando os conteúdos no ensino de judô

Visando organizar os conteúdos propostos nas aulas de judô da Secretaria de Esportes, Juventude e Lazer de Cotia e do Grêmio Recreativo Barueri (SP), nos últimos anos desenvolvemos um planejamento que denominamos "Balizadores de ensino de judô". Neste material, os conteúdos são divididos por graduação e aplicados como uma sequência progressiva. São orientações do "mínimo esperado" a ser desenvolvido durante dada graduação. Como geralmente nossas turmas são heterogêneas quanto as graduações dos alunos, retomamos os conteúdos básicos nas aulas iniciais e avançamos ao longo do ano. Os conteúdos são continuamente ajustados, conforme as experiências vivenciadas nas aulas. Organização: Marcus Agostinho, Douglas Montel e Ewerton Ribeiro Contribuições em discussões: Evandro Santos, Rogério Monteiro, Érica Hashimoto e Demerval André Jr.

IPPON - Programa de aquecimento para atletas de judô

Em artigo recente publicado na BMJ Open Sport & Exercise Medicine , von Gerhardt e colaboradores apresentam um programa de aquecimento específico para atletas de judô visando o desenvolvimento da flexibilidade, agilidade, equilíbrio, coordenação, força e estabilidade. IPPON - Injury Prevention and Performance Optimization Netherlands O programa foi desenvolvido por um grupo de transferência de conhecimentos composto por 14 profissionais (médicos, fisioterapeutas, treinadores, gestores e pesquisadores). Neste artigo, os autores apresentam uma proposta de programa que posteriormente terá sua eficácia e viabilidade analisada em um estudo randomizado controlado. A proposta do programa é contribuir na prevenção de lesões de ombros, joelhos e tornozelos, incluindo duas vezes por semana 12 exercícios (de uma lista de 36) no aquecimento. Os autores disponibilizaram uma lista com a versão final dos exercícios selecionados na qual é possível clicar em cada exercício e ter acesso aos vídeos ...