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O caminho das pedras

A mais de uma década, os atletas que participam dos principais eventos da IJF são distribuídos nos sorteio das súmulas levando em consideração seu posicionamento no ranking mundial. Desta forma, os oito  melhores posicionados neste ranking são distribuídos como cabeças de chave nas súmulas de suas respectivas categorias, ao passo que os demais são distribuídos aleatoriamente durante o sorteio. 

Nesta distribuição, os Top 8 são posicionados de forma que só se enfrentem a partir das quartas-de-finais, sempre adotando a seguinte formatação:

Distribuição dos cabeças de chave nos eventos da IJF: 
Chave A: 1º e 8º melhores ranqueados
Chave B: 4º e 5º melhores ranqueados
Chave C: 2º e 7º melhores ranqueados
Chave D: 3º e 6º melhores ranqueados
Fonte: https://www.ijf.org/documents

Desta forma, atletas que não se encaixam neste critério, necessariamente, têm que enfrentar um dos cabeças de chave antes de avançarem para os blocos finais e disputas de medalhas da competição. Além disso, é importante considerar que a repescagem ocorre apenas a partir das quartas-de-finais (regra adotada a partir de 2009). Embora o desempenho competitivo envolva muitos aspectos, teoricamente, ser (ou não ser) um cabeça de chave poderia trazer vantagens (ou desvantagens) para os participantes.

É o que parece ter ocorrido nos eventos IJF World Tour 2021 que realizados até o momento: Doha Masters, Tel Aviv Grand Slam e Tashkent Grand Slam. 

Se considerarmos todas as medalhas distribuídas nestes três eventos (14 categorias X 4 medalhas X 3 eventos = 168 medalhas), 70% delas foram conquistadas por atletas cabeças de chave. 

Caminho das pedras

Nestes três eventos, 51 medalhistas não foram cabeças de chave de suas categorias, sendo a maior parte deles (67%) do sexo masculino.

Quantidade de medalhistas que não foram cabeças de chave
nos 3 primeiros eventos do IJF World Tour 2021

O evento com maior quantidade de medalhistas que não estavam entre os 8 melhores no IJF World Ranking foi o Doha Masters 2021. Neste evento só participam os 36 atletas melhores posicionados neste ranking. Desta forma, mesmo não sendo cabeças de chave, todos os participantes tinham bons resultados anteriores, como os multi-medalhistas mundiais e olímpicos Baul An, Changrim An e Teddy Riner. Embora estes três atletas não tenham sido cabeças de chave neste evento, terminaram a competição com a medalha de ouro de suas categorias.

Vale destacar dois outros levantamentos interessantes neste evento:

  1. Nove finalistas não foram cabeças de chave (6 destes foram campeões de suas categorias);
  2. No masculino, todas a categorias tiveram ao menos um medalhistas que não foi cabeça de chave (no -60 kg, os quatro medalhistas não foram).

Nos eventos seguintes, que ofereciam menor pontuação/premiação e permitem a inscrição de atletas em qualquer posição do ranking, menos atletas que não foram cabeças de chave subiram ao pódio. Enquanto em Tel Aviv oito destes atletas chegaram às finais de suas categorias, em Tashkent apenas dois foram finalistas (Nikiforov e Georgiev, ambos da categoria -100 kg). 

Tashkent GS 2021: final da categoria -100kg
Georgiev e Nikiforov não foram cabeças de chave no evento.
Foto: https://www.ijf.org/competition/2230/photos?id_weight=6


Estudos sobre este tema

Entender as vantagens de ser cabeça de chave nos principais eventos de judô é algo que vem sendo investigado. Vale a leitura dos artigos abaixo:

Análise dos Campeonatos Mundiais Sênior, Jogos Olímpicos e Masters realizados entre 2010 e 2013.
https://doi.org/10.1177%2F1527002514560576


Análise dos Jogos Olímpicos de 2012 e 2016
https://doi.org/10.12965/jer.1734904.452


Análise das vantagens de ser cabeça de chave em diferentes processos de disputa.
http://dx.doi.org/10.2139/ssrn.3560592


Análise da heterogeneidade e probabilidades de atletas melhores ranqueados vencerem combates em competições por equipe (eventos de 2017 a 2019)
http://revpubli.unileon.es/ojs/index.php/artesmarciales/article/view/6288/5436








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