Pular para o conteúdo principal

Classificação de Dopico et al. (2014): uma alternativa para o processo de ensino-aprendizagem-treinamento

A classificação das técnicas de projeção (nage-waza) em grupos similares é uma proposta geralmente utilizada no planejamento do treinamento técnico-tático e na análise de desempenho no judô. Para isso, treinadores tendem a utilizar a classificação tradicional do judô,  que faz a classificação das técnicas por critérios anatômicos:

  • Ashi-waza: técnicas de perna
  • Koshi-waza: técnicas de quadril
  • Te-waza: técnicas de braço 
  • Sutemi-waza: técnicas de sacrifício, subdivididas em frontal (ma-sutemi-waza) e lateral (yoko-sutemi-waza)

Em 2014, pesquisadores espanhóis publicaram uma proposta alternativa bastante interessante para a classificação das técnicas de projeção. Com base na Teoria do Esquema (veja um resumo aqui), os autores propõem a divisão das técnicas em nove grupos com similaridades motoras.


Apresentação da proposta de Dopico et al. (2014) no curso online Iniciação e Direcionamento no Judô 
(conheça o curso clicando aqui).

Acesse o artigo original em https://smaes.archbudo.com/view/abstracts/issue_id/390


Como exemplo da análise de desempenho baseada nesta classificação,  vejamos os grupos mais utilizados pelos(as) campeões/campeãs dos três primeiros eventos do IJF World Tour 2022 (Portugal GP, Paris GS e Tel Aviv GS):

Frequência de técnicas efetivas dos(as) medalhistas de ouro no Portugal GP, Paris GS e Tel Aviv GS em 2022 com base nos grupos propostos por Dopico et al. (2014). Técnicas de projeção do grupo 1 (com giro, com dois apoios e desequilibrando uke para frente) foram as mais frequentes entre os(as) campeões/campeãs destes 3 importantes eventos internacionais.

Esta classificação também tem sido utilizada em pesquisas que envolvem análise de desempenho,  como o estudo de Martins e colaboradores (2019) analisando as técnicas efetivas do Campeonato Mundial Sênior de 2017. Um resumo do estudo e o link do artigo foram apresentados em um post anterior (clique aqui para rever).


No treinamento técnico-tático, incluindo para praticantes em níveis iniciantes e intermediários, esta proposta pode ser uma forma interessante de direcionamento dos estímulos, 

Monitoramento dos estímulos técnicos propostos em 6 treinos para uma turma de praticantes de judô de nível iniciante e intermediário.

Parte do resumo disponível em @judodebase

Quer conhecer melhor esta proposta e outros aspectos relevantes no ensino-aprendizagem-treinamento do judô?

Conheça nossos cursos online 😉👇🏼


Mas corre que a promoção de 25% off é por tempo limitado!




Comentários

Postagens mais acessadas no mês

Doha Masters 2021 - Análise dos medalhistas (masculino e feminino)

Após um ano sem realização de Campeonatos Mundiais ou Jogos Olímpicos, no início de 2021 foi realizado o Judo Masters . O evento reúne melhores colocados no IJF World Ranking e distribui pontos importantes para atletas que estão buscando a classificação para os Jogos Olímpicos Tokyo 2021. Segue abaixo a análise técnico-tática dos medalhistas neste evento. Embora a maior parte das pontuações conquistadas pelas medalhistas tenha sido com técnicas de projeção desequilibrando para frente (42) e para trás (35), como já observado em outros eventos mundiais, uma parcela considerável destes pontos foi conquista no combate no solo (33).  Em seus caminhos para o pódio, 8 destas medalhistas apresentaram um sistema de ataque variado, pontuando em ambas direções e no solo. Entre os homens, mais da metade das pontuações foi conquistada com técnicas desequilibrando o oponente para frente (62), com menor frequência de pontos conquistados via projeções para trás (35) e no combate no solo (19)....

Monitorando a carga de treinamento com Excel

Tão importante quanto monitorar o treinamento é a possibilidade de analisar dinamicamente os dados coletados. A planilha abaixo foi elaborada com esta intenção, permitindo o monitoramento da carga de treinamento com o MS Excel (no computador, tablet ou smartphone). Clique aqui para baixar a planilha de PSE-sessão Segue um vídeo tutorial para facilitar seu uso. Comentários e sugestões serão bem-vindos: maagostinho@hotmail.com ou maagostinho@usp.br

Variabilidade dos finalistas em Campeonatos Mundiais

 Em 2025, usando alguns dados já apresentados neste blog, publicamos um artigo no periódico acadêmico da IJF (The Arts and Sciences of Judo, Vol. 5, No. 1), entitulado: The Final Battle! Variability of Performance of Finalists in World Judo Championships (disponível em: https://www.ijf.org/ijf/documents/17 ). O estudo buscou analisar parâmetros técnico-táticos das técnicas que geraram pontuações para atletas que conquistaram medalhas de ouro e de prata nos Campeonatos Mundiais Cadete, Junior e Sênior de 2022 e 2023. Desta forma, foi possível comparar as possíveis diferenças nestes parâmetros entre atletas de diferentes faixas etárias, sexos e entre os medalhistas de ouro vs. medalhistas de prata nestes eventos. Nage-waza: homens e medalhistas de ouro apresentaram maior variabilidade Ao observar quatro parâmetros técnico-táticos das técnicas de projeção (nage-waza), os homens campeões e vice-campeões mundiais pontuaram com maior variabilidade de configurações de kumi-kata, de formas...