Pular para o conteúdo principal

Finalistas dos Mundiais 2024: formas de ataque e transições

 Desde 2017 tenho postado aqui no blog alguns levantamentos das ações técnicas de medalhistas nos Campeonatos Mundiais Cadete, Júnior e Sênior. Este ano, embora tenha conseguido realizar o levantamento das mulheres finalistas no Mundial Sênior de Abu Dhabi, acabei não conseguindo seguir com as análises dos finalistas do sexo masculino com a mesma agilidade, bem como com os(as) finalistas dos Mundiais Cadete (Lima) e Júnior (Dushanbe).

Desta forma, achei melhor reunir todos os levantamentos dos 3 eventos ao longo das próximas postagens, apresentando um perfil das ações técnicas que geraram pontuações realizadas pelos(as) finalistas dos Mundiais Sênior (Abu Dhabi), Cadete (Lima) e Júnior (Dushanbe) de 2024.

Iniciaremos com as formas de ataque em nage-waza e transições para ne-waza efetivas dos(as) finalistas dos Mundiais 2024.


137 pontuações foram conquistadas com nage-waza dinâmicos. Os ataques realizados durante a disputa de kumi-kata foram os nage-waza dinâmicos mais frequentes (51%), seguidos por ataques realizados imediatamente ao estabelecer o kumi-kata (44%). Outra forma menos frequente que se inclui neste grupo são os ataques realizados quando o tori está com uma mão segurando no judogi do uke e executa o ataque assim que faz o contato com sua segunda mão, que representou os 5% restantes dos nage-waza dinâmicos dos(as) finalistas dos Mundiais de 2024.

Heydarov (AZE), campeão mundial Sênior 73kg, pontuando com ataque durante a disputa de kumi-kata.


124 pontos foram conquistados com nage-waza dominando. Neste grupo de formas de ataque em nage-waza, a maior parte das pontuações (65%) ocorreu nas ações dos(as) finalistas atacando de forma direta quando estavam com o kumi-kata estabilizado por 4 segundo ou mais, ao passo que ataques em em sequência (renraku-henka-waza) ocorreram em 35% dos pontos conquistados com nage-waza dominando.

Observe o tempo no placar (a esquerda). É possível ver que a italiana Savita Russo (prata no Mundial Júnior) estava com o kumi-kata estabilizado por 15 segundos antes de realizar o o-soto-gari que lhe garantiu a vitória na semifinal.


106 pontuações foram conquistas com transições para ne-waza. As transições mais frequentes foram as transições oportunistas  (30%), transições sequenciais (26%), ataques em continuação quando tori já estava no ne-waza (21%) e transição direta (20%). Transições intencionais e defesa ativa no ne-waza geraram poucas pontuações para os(as) finalistas, representando respectivamente 2% e 1% das ações efetivas em ne-waza.

A vice-campeã mundial cadete Manon Agati-Alouache (FRA) pontuando nas quartas-de-finais com uma transição oportunista.


74 pontos foram conquistados com nage-waza oportunistas. Contragolpes (kaeshi-waza) foram os nage-waza oportunistas mais frequentes (69%), seguidos por go-no-sen (19%) e ataques na posição ne-shisei (12%).

Nos últimos 10 segundos da final da categoria 81kg no Mundial Sênior, o georgiano Tato Grigalashvili garantiu o ouro com este kaeshi-waza.


Nota: Os dados e videos apresentados neste post foram coletados a partir dos vídeos disponíveis no site ijf.org e judotv.com. As informações apresentadas são uma análise descritiva, com valores absolutos e/ou relativos de alguns aspectos analisados nos vídeos disponíveis. Ainda que tenham sido apresentados alguns comentários, cabe ressaltar que não foram realizadas análises de probabilidade ou análises estatísticas inferenciais.


Aprenda mais sobre análise de desempenho, monitoramento e organização de treinamento nos cursos online da JBEL.



Comentários

Postagens mais acessadas no mês

Ranqueamento dinâmico no judô: conheça a proposta dos pesquisadores japoneses

O grupo de pesquisadores japoneses liderado pelo Dr. TAKANORI ISHII apresentou uma proposta interessante de uso do Elo Rating no judô.  O Elo Rating é um método estatístico inicialmente desenvolvido para calcular o desempenho relativo entre jogadores de xadrez. Dado a sua aplicação bem sucedida no sistema de ranqueamento da Federação Internacional de Xadrez, o modelo despertou o interesse de outras modalidades esportivas. Conforme proposto no artigo Enhancing match outcome prediction and athletic performance assessment using Elo rating and tournament draw data in judo , o cálculo do rating para atletas de judô segue estas etapas: 1. Rating inicial: todo atleta inicia com um rating de 1400 pontos, da mesma forma proposta com jogadores de xadrez de nível internacional; 2. Atualização após cada combate: o rating é atualizado considerando a probabilidade de vitória conforme o rating do oponente enfrentado. Por exemplo, se um atleta com rating 1500 vence um oponente com 1700 (chance es...

IPPON - Programa de aquecimento para atletas de judô

Em artigo recente publicado na BMJ Open Sport & Exercise Medicine , von Gerhardt e colaboradores apresentam um programa de aquecimento específico para atletas de judô visando o desenvolvimento da flexibilidade, agilidade, equilíbrio, coordenação, força e estabilidade. IPPON - Injury Prevention and Performance Optimization Netherlands O programa foi desenvolvido por um grupo de transferência de conhecimentos composto por 14 profissionais (médicos, fisioterapeutas, treinadores, gestores e pesquisadores). Neste artigo, os autores apresentam uma proposta de programa que posteriormente terá sua eficácia e viabilidade analisada em um estudo randomizado controlado. A proposta do programa é contribuir na prevenção de lesões de ombros, joelhos e tornozelos, incluindo duas vezes por semana 12 exercícios (de uma lista de 36) no aquecimento. Os autores disponibilizaram uma lista com a versão final dos exercícios selecionados na qual é possível clicar em cada exercício e ter acesso aos vídeos ...

World Championships Cadets Almaty 2019: análise técnico-tática dos medalhistas

Nesta penúltima postagem da série de análises dos Campeonato Mundiais de 2019, serão apresentados alguns dados dos atletas medalhistas no World Championships Cadets Almaty 2019. Metade das pontuações dos medalhistas foi conquistada por meio de técnicas que desequilibram o uke para frente. Contudo, vale ressaltar que 20 medalhistas conseguiram pontuar com técnicas de projeção nas duas direções. As técnicas de domínio no solo foram menos frequentes, embora tenham sido efetivas para 15 medalhistas nesta competição. Entre as pontuações conquistadas via técnicas de projeção, sutemi-waz a foram mais frequentes (43%), seguidas por ashi-waza (30%), te- waza (19%) e koshi-waza (8%). Tani-otoshi foi a técnica efetiva mais frequente, utilizada por 8 atletas medalhistas. Pouco mais da metade das projeções efetivas partiu de configurações de pegada alta ( 32%) ou tradicional ( 25%). Ataques realizados durante a disputa de pegada  se destacaram en...