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Tel Aviv GS 2021 - Formas de ataques e transições dos campeões

Quando pensamos em repertório técnico-tático no judô, além de analisar as técnicas mais frequentes e efetivas, podemos considerar outros fatores que conduzem a realização destas técnicas. Entre estes fatores, as formas como as técnicas de projeção são executadas e as formas de transições são importantes aspectos que podem ser desenvolvidos nos treinamentos.

Um estudo recente demonstrou que os campeões mundiais apresentam maior variação das formas de ataque quando comparados aos medalhistas de bronze nos mesmos eventos, bem como maior variação de formas de transição quando comparados com os medalhistas de prata e bronze (Agostinho e Franchini, 2020).

No Grand Slam de Judô de Tel Aviv, ao analisar as técnicas efetivas nos combates dos campeões foi possível verificar diversas formas de ataque e transições. Realizando uma análise individual destes medalhistas, ao passo que Tina Trstenjak venceu todos seus combates por punições (portanto não usou nenhuma destas formas de ataque), outros atletas como Alexandru Raicu e Romane Dicko apresentaram ampla variabilidade destes elementos técnicos (respectivamente, 4 formas de ataque + 1 forma de transição e 4 formas de ataque + 2 formas de transição).

Para ampliar, clique sobre a imagem.

Seguem alguns exemplos destas formas de ataque e transições executadas no Tel Aviv Grand Slam 2021:

Com uma mão estabilizada no judogi do oponente, Boltaboev executa o ataque assim que faz o contato no judogi com sua segunda mão.

Bekauri realiza o ataque enquanto está dominando a pegada.

Nelson Levy pontua executando um ataque oportunista logo após defender o ataque de sua adversária (go-no-sen).

Novamente, o uzbeque Boltoboev projeta seu oponente nas quartas-de-finais, mas desta vez executa o ataque imediatamente após estabelecer a pegada.

Zaalishvili vence seu primeiro combate executando um contragolpe (kaeshi-waza).

Korrel avança para a final após projetar seu adversário durante a disputa de pegada.

Giles aproveita que sua oponente está ajoelhada (ne-shisei) e a projeta com uma transição ne-waza para tachi-waza.

                           

Dicko garante a medalha de ouro com uma transição direta (imobilização logo após projetar a oponente).

Pinot realiza um estrangulamento após conduzir sua adversária para o solo com uma transição intencional.

Após um ataque falho da oponente, Boukli aproveita para realizar a transição oportunista, imobilizando-a.

Na final, Giles realiza uma transição sequencial, dando sequência no ataque no solo logo após tentar projetar a adversária.


Por fim, as técnicas efetivas (e punições decisivas) mais frequentes entre os 14 campeões deste evento podem ser observadas no wordcloud abaixo:

Para ampliar, clique sobre a imagem.


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Nota: Os dados e gifs apresentados neste post foram coletados a partir do vídeos disponíveis no site www.ippon.org. As informações apresentadas são uma análise descritiva, com valores absolutos e/ou relativos de alguns aspectos analisados nos vídeos disponíveis. Ainda que tenham sido apresentados alguns comentários, cabe ressaltar que não foram realizadas análises de probabilidade ou análises estatísticas inferenciais.

Comentários

  1. Parabéns pelo trabalho Marcus Agostinho, pesquisadores como você fazem o judo-desempenho evoluir nos sistemas de treinamento e preparação. Por favor, permita-me fazer algumas observações (talvez por não compreender o “todo”, mas acho pertinente) para que tenha o entendimento a todos.

    1) “Formas de ataque” foram as quais resultaram em Ippon? Ou wazari ou posição de vantagem? Não ficou claro.

    2) Ataque, se pontuado, sugeriria o termo “Kime waza”

    3) se empregado o termo kaeshi waza, sugeriria a classificação de renraku waza e renzoku gake. Ao ler, parece que fica “faltando” isso, pois é natural pensar assim. Assim como, go no sen, ter o sen no sen.

    4) transição de ne waza para tachi waza é algo extremamente estranho (dado as regras), e por ser um único evento, logo não é expressivo (estatisticamente). Talvez pudesse entrar no cômputo de “oportunista”.

    5) as transições: direta da forma que está, só se classificaria ossae waza? A sequencial e intencional, por vezes acho que pode confundir. Pois parte do princípio que o atleta sempre tem a intenção de lutar em ne waza. Diferente da direta.

    6) no wordcloud, existem termos “complicados”. Talvez devesse seguir a nomina adotada pelo próprio Kodokan/ fij. Pois “suwari”; “kataotoshi”; “ajo” ou “ajoelhado” ...

    Obrigado pela atenção e oportunidade.

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    Respostas
    1. Desculpe, acho que não apareceu o autor do comentário: Rafael Borges.

      Excluir
    2. Olá Rafael Borges . "Contar" alguns elementos técnico-táticos dos eventos tem sido um hobbie que gosto de compartilhar no blog. Sobre os comentários:
      1. Vc verá no texto que tratam-se das técnicas efetivas (i.e., que geraram pontos);
      2. 👍🏻;
      3. Veja como este tipo de analise das formas de ataque pode avançar e merece ser considerada no ensino-aprendizagem-treinamento;
      4. Na vdd, dado as regras atuais, é algo que ocorre. O levantamento é apenas uma análise descritiva, sendo apenas um "retrato" destes atletas, neste evento (vide nota ao final do texto no post). Realmente é um tipo de ataque oportunista (como já comentei em outros posts);
      5. Em outras análises que realizei, também observei transições diretas para kansetsu-waza. De fato, vários atletas têm a intenção de lutar em ne-waza, por isso que talvez valha analisar diferentemente as formas como estas transições ocorrem;
      6. Este realmente é um "problema" de tomada de decisão. Neste sentido, tenho preferido apontar os termos usuais em treinamentos/competições, dado que um "kata-otoshi" apresenta uma execução distinta do kata-guruma ou yoko-otoshi, um "suwari-seoi-nage" do seoi-nage, um "sode-tsurikomi-goshi-ajo"(elhado) do sode-tsurikomi-goshi...

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